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CAMPING EXPERIENCE por Eduardo Godoy

Quinta, 05 Maio 2016 00:00 Written by  0 comment
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A viagem começou com grandes expectativas no ponto de encontro no Metro Vergueiro de onde partiria a van para Cunha no Estado de São Paulo. Grandes expectativas, pois se tratando de acampar em um pico de 1840m de altitude na divisa da Serra do Mar com a Serra da Bocaina, não é pra menos que seria uma vivência única. 

 

 

A Pedra da Macela, como é chamada, situa-se nos limites entre o Estado de São Paulo e Rio de Janeiro, e devido à sua altitude dá pra ver a cidade de Paraty lá embaixo, uma bela visão que se completa ao nascer do Sol. 

Após quase 5 horas de viagem no total com uma parada de 45 minutos, chegamos à estrada que liga Cunha à Paraty, onde no km 65 entramos em uma estrada de terra que chega ao pé da trilha e possui uma cerca para evitar a entrada de animais, então obrigatóriamente só pode ser feita a pé. 

Dica: Levar algum lanche, ou fazer uma refeição mais reforçada na parada para não fazer a trilha de estômago vazio.

Logo que saimos da van, já ficamos surpresos com a noite estralada inacreditável, o céu totalmente aberto, sem nenhuma nuvem, podendo ter uma bela visão à olho nu da Via Láctea, uma noite privilegiada.

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Apesar de ser uma trilha asfaltada, a subida de 3km é bem ingrime e exige um esforço fisico para chegar ao topo, mesmo seguindo em um ritmo tranquilo, é ideal ter algum preparo para aguentar a caminhada. O guia ia na frente abrindo a trilha, enquanto um voluntário do nosso grupo fechava a trilha caminhando atrás de todos para evitar a dispersão do grupo e avisar para parar um pouco caso alguém precisasse tomar fôlego. Totalmente escuro, sem Lua, fomos subindo com a ajuda das lanternas que são essenciais já que não há nenhuma iluminação no local e trocando relatos de experiências de outras viagens e travessias.

Dica: Levar lanterna, pois algumas pessoas não levaram e realmente faz a diferença até pra se locomover no topo, que apesar de uma área pequena, ao chegar lá vai estar 100% escuro e o terreno é acidentado com alguns barrancos, pedras e pequenos caminhos estreitos que ligam os pontos onde as barracas estão montadas, e o ponto de encontro na barraca central onde está a equipe de apoio.

Chegando ao topo por volta das 22:30 da noite fomos contemplados com o horizonte noturno e a noite que brilhava intensamente carregada de estrelas. Fomos muito bem recebidos pela equipe de apoio que já estavam lá, com toda a estrutura das barracas montadas e um caldo de legumes com queijo ralado e calabresa quentinho pra repor as energias, esquentar o corpo e descansar para o dia seguinte.

ÀS 4:40 da manhã acordamos para ver o alvorecer, o momento mais importante e impressionante da viagem. Todos nós, o grupo, a equipe de apoio e mais algumas poucas pessoas que estavam também acampando, nos reunimos na parte em que avistávamos a descida da Serra, a cidade e a orla de Paraty, assim como o Sol que nascia lá no fundo do horizonte acima do mar. 

Dica: Levar uma câmera fotográfica com pelo menos duas baterias carregadas, pois apesar da câmera do celular quebrar o galho, se você quiser fazer um bom registro da dimensão da beleza que o visual oferece, é interessante levar uma câmera de qualidade.

Com o amanhecer, tivemos a noção da altitude em que estávamos e avistávamos a cidade de Paraty, Angra dos Reis e a ilha Grande, e confome o Sol subia, mais nitida a vista ficava lá embaixo, já que as nuvens de umidade deixavam a costa e com o aumento da temperatura subiam a Serra para formar as nuvens no alto.

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Tomamos o café da manhã que consistia em frutas, leite, queijo, pão de forma e frios. Aqui é importante dizer que caso você não tenha o costume de tomar um café da manhã reforçado, nesse caso irá fazer a diferença se aproveitar e comer um pouco mais do que o costume, pois o dia vai ser longo, ainda eram 8:30 da manhã e o almoço é a última parada. 

  Depois disso passamos aproveitando as últimas duas horas ali em cima e nos preparamos para pegar a trilha de volta. A descida pelo mesmo caminho é mais tranquila em relação ao fôlego, mas exige mais o esforço muscular das pernas para sustentar o corpo e o peso da mochila a cada passo.

Dica: não leve nada a mais do que o necessário, pois o peso da mochila ao longo da trilha tem um impacto considerável.

De volta à entrada da trilha a van nos esperava para rumar sentido à cervejaria artesanal Wolkenburg, que fica na mesma estrada de terra sentido à rodovia Cunha-Paraty. Chegando lá esperamos alguns minutos até que a cancela abrisse para visitação e ao percorrer o caminho até o salão percebemos que também o local estava bem alto em relação ao ni´vel do mar e logo que fomos recebidos pela Patricia, proprietária da cervejaria junto de seu marido,  que logo explicou que Wolken significa nuvens em Alemão e Burg seria reino, portanto, Reino nas Nuvens, visto que o lugar fica à 1400m de altitude. Degustamos três das cervejas que são produzidas e partimos para a próxima visita, a Cachoeira do Pimenta.

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Novamente às estradas de terra, chegamos à cachoeira passando por trechos da Estrada Real, que seria a antiga estrada para transporte de pedras preciosas de Diamantina à Paraty para serem levadas à Portugal. O dia estava quente, bem diferente do amanhecer e a água fria da cachoeira foi revigorante, e bem oportuno pra quem havia tomado o último banho pelo menos há 24 horas atrás, depois de passar por uma trilha e viajar algumas horas. Passamos entorno de 1 hora e meia lá e a única coisa importante a se lembrar é levar a toalha para se enxugar de preferência, uma toalha de rosto que já da conta do recado, ocupa pouco espaço e é menos peso na mochila.

A última e sagrada parada, o almoço na casa do Lucas Abdalla, responsável pelo apoio no pico da Pedra da Macela e proprietário do receptivo local, o Vale Radical. Fomos muitissimo bem recebidos pelos pais dele, em clima de interior, comidinha da vovó e uma estrutura de dar inveja à quem vive nos stress da cidade grande. Passando pela cancela, subimos até a casa de van, e lá nos fundos abriasse um deck de madeira, com piscina, guarda-sol e tendas em frente à um grande morro de serra sem qualquer construção, apenas natureza e o sol caindo no meio da tarde. Almoçamos bem, comida preparada em fogão à lenha, muitas verduras, frutas, 3 tipos de carne, feijoada e suco de limão com couve. O banquete custou apenas R$ 30,00, e bem gastos. Vale lembrar que o pagamento é só em cash, então é bom . Ficamos ali conversando e apreciando os últimos momentos da trip que não poderia ter sido melhor, a não ser se pudéssemos ficar por mais alguns dias.

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